A falta de um Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA) adequado não apenas expõe indústrias ao risco de incêndios causados por raios de longa duração, mas também gera aumento drástico de prêmios e negativas de cobertura por parte das seguradoras. Um estudo técnico recente revela uma lacuna de proteção global de US$ 76 bilhões, comprovando que a gestão de descargas atmosféricas deixou de ser uma questão puramente de engenharia para se tornar uma decisão financeira e de continuidade de negócios.
O Peso do Estudo da EY na Gestão de Riscos
Para entender a gravidade deste cenário, precisamos olhar para os dados. As informações deste artigo baseiam-se em um estudo técnico aprofundado conduzido pela EY (Ernst & Young).
Integrante do seleto grupo das Big Four, a EY é uma das maiores e mais respeitadas empresas de auditoria e consultoria do mundo. Com presença em mais de 150 países, a instituição é reconhecida globalmente por conduzir pesquisas independentes em gestão de riscos, utilizadas por grandes indústrias, governos e seguradoras para embasar decisões estratégicas críticas.
O documento, focado na gestão de risco de descargas atmosféricas na era das mudanças climáticas, não é um material comercial. Trata-se de uma auditoria técnica que comprova como fenômenos climáticos extremos estão impactando o caixa das empresas. E dois dos maiores vilões apontados pela pesquisa são os incêndios gerados por raios e a resposta do mercado de seguros a essa vulnerabilidade.
Raios e Incêndios: O Risco Oculto do Efeito LCC
Quando gestores pensam em raios, geralmente imaginam o dano elétrico imediato a equipamentos (queima de placas e servidores). No entanto, o estudo da EY alerta para um risco físico muito mais devastador e frequentemente ignorado: os incêndios estruturais causados pelo efeito LCC.
A Corrente Contínua Longa (LCC - Long Continuing Current) é um tipo de descarga atmosférica que mantém a transferência de energia térmica por um período muito mais prolongado do que um raio comum.
Enquanto um raio tradicional dura frações de milissegundos, o raio com perfil LCC "queima" o ponto de impacto por mais tempo. Esse estresse térmico prolongado é o principal responsável por iniciar incêndios de grandes proporções em telhados industriais, galpões logísticos, silos agrícolas e plantas petroquímicas. Se a estrutura não possui um SPDA dimensionado para dissipar essa energia térmica e elétrica rapidamente, a ignição é quase certa.
SPDA e Seguros: A Dor Financeira da Subproteção
O aumento do risco de incêndios por raios (agravado pelas mudanças climáticas) acendeu um alerta vermelho no mercado segurador. O estudo da EY destaca o conceito de "Insurance Protection Gap" (Lacuna de Proteção de Seguros), que atualmente atinge a marca alarmante de US$ 76 bilhões globais. Isso representa o volume de perdas financeiras geradas por desastres climáticos que simplesmente não estavam cobertas por apólices de seguro.
Para o cliente industrial, a relação entre SPDA e seguros se traduz em três dores financeiras imediatas:
- Aumento do Prêmio: Seguradoras realizam auditorias rigorosas de risco. Uma planta industrial sem SPDA atualizado (ou com laudo vencido) é classificada como alto risco de incêndio, o que eleva drasticamente o custo da apólice anual.
- Exigência de Adequação: Muitas seguradoras estão condicionando a renovação de apólices patrimoniais à apresentação de um Prontuário de Instalações Elétricas (PIE) e laudos de SPDA em conformidade com a NBR 5419.
- Negativa de Cobertura (Sinistro Negado): Se um raio causar um incêndio ou a parada total da planta e a perícia da seguradora constatar negligência na manutenção do SPDA, a empresa perde o direito à indenização. O prejuízo é absorvido 100% pelo caixa da indústria.
Comparativo: O Olhar da Seguradora Sobre a Sua Indústria
A tabela abaixo ilustra como o mercado de seguros avalia o risco patrimonial com base na infraestrutura de proteção:
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Critério de Avaliação |
Indústria Subprotegida (Sem SPDA ou Desatualizado) |
Indústria Protegida (SPDA Ativo e Laudo em Dia) |
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Risco de Incêndio (LCC) |
Altíssimo (probabilidade de ignição estrutural) |
Mitigado (energia dissipada com segurança) |
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Custo da Apólice (Prêmio) |
Elevado (precificado com base no risco máximo) |
Otimizado (descontos por mitigação de risco) |
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Continuidade Operacional |
Ameaçada (risco de parada de planta prolongada) |
Assegurada (proteção de ativos críticos) |
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Indenização em Sinistro |
Alto risco de recusa por negligência técnica |
Garantida mediante comprovação de conformidade |
Conclusão e Próximos Passos
A proteção contra descargas atmosféricas não é apenas uma exigência normativa; é um escudo jurídico e financeiro para a sua operação. O estudo da EY deixa claro que ignorar a modernização do SPDA é assumir um risco operacional incalculável, expondo a empresa a incêndios devastadores e à falta de amparo das seguradoras.
O que você deve fazer agora:
- Solicite imediatamente a revisão do seu laudo de SPDA atual.
- Verifique se a sua apólice de seguro patrimonial exige adequações específicas contra descargas atmosféricas.
- Agende uma consultoria técnica com a engenharia da ABC Para Raios para avaliar se a sua tecnologia atual é capaz de lidar com o risco de incêndios por correntes contínuas longas (LCC).
Perguntas Frequentes (FAQ)
O que é LCC (Long Continuing Current)? A Corrente Contínua Longa (LCC) é uma descarga atmosférica de maior duração que transfere uma quantidade massiva de energia térmica para o ponto de impacto, sendo a principal causadora de incêndios estruturais por raios.
A seguradora pode negar a indenização se meu SPDA estiver desatualizado? Sim. Se a perícia comprovar que o incêndio, acidente com pessoas ou dano elétrico ocorreu devido à falta de manutenção ou inadequação do SPDA às normas vigentes (como a NBR 5419), a seguradora pode alegar negligência e recusar o pagamento do sinistro.
O que significa "Insurance Protection Gap" citado no estudo da EY? É a "lacuna de proteção de seguros", que representa a diferença financeira entre as perdas totais causadas por eventos climáticos extremos e o valor que estava efetivamente coberto por apólices de seguro. Atualmente, essa lacuna é de US$ 76 bilhões.